Algo se transformou no coração do movimento democrático sem líderes declarados, um movimento que até 2 meses atrás, dava aula de civismo em Hong Kong.

Uma perspectiva histórica nos mostra que, se o Tibet representa o passado e Xinjiang - uma província muçulmana dentro da China - o presente, Hong Kong é o futuro das batalhas territoriais lançadas pela China para homogeneizar seu territorio dentro das fronteiras atuais, indo além de diferenças étnicas, política e religiosas. E os honcongueses sabem disso muito bem.

Em 1984, Pequim y Londres alcançaram um acordo onde o Reino Unido colocou fim ao seu domínio colonial sobre Hong Kong, devolvendo a soberania do territorio à China em 1997 com o lema 'Um país, dois sistemas': a cidade portuaria teria 50 anos (até 2047) de autonomia em suas fronteiras, seu sistema legal, liberdade de expressão e manifestação. A coisa foi bem até que Xi Jinping chegou ao poder em 2013.

A 'Revolução dos guarda-chuvas amarelos' em 2014 foi uma resposta, uma demonstração espontânea de descontentamento que tomou as ruas para exigir uma verdadeira democracia. Desde então, os protestos vêm mudando as dinâmicas políticas em Hong Kong. Os jovens acumularam frustração nos últimos anos e estão enviando uma mensagem à Pequim: estão preocupados com suas liberdades, a liberdade de expressão e a independencia judicial.

Com o lema 'Hong Kong livre. Democracia agora' a ex-colônia britânica constitui uma afronta à uma China que nao tolera dissidência interna, por isso fica cada vez mais evidente que não estão dispostos a esperar 20 anos; querem torná-la uma cidade chinesa o quanto antes para evitar que propague idéias ao resto do país. E as estratégias do Governo Central passam por mudanças legislativas na ilha, perseguição contínua a dissidentes e, principalmente uma política migratória que consequentemente gerará uma mudança demográfica a médio prazo: estamos falando de uma crise de identidade.

Somos muito muito fãs da Revista 5W, uma publicação que tem mudado a cara do fotojornalismo pensando, escrevendo, fotografando e contando historias complexas com principalmente muito valor humano. Por isso, à partir de agora aqui no elpulpo, vamos dar visibilidade às suas narrativas, sempre com um pequeno trecho, algumas fotos e o link onde poderá ser lida na íntegra, sempre em espanhol.

 
A materia em questão chama-se "Hong Kong, la grieta china".

 

Imagens: Kin Cheung/AP, Times e Perry Dino

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