Série Chernobyl tem atraído olhares para o local, após 33 anos do desastre nuclear

Você já assistiu Chernobyl, a série de sucesso da HBO que estreou em junho? Se não, já deve ter ouvido falar certamente. Esta nova produção original foi amplamente aclamada pelo público e pela crítica, e instigou fãs a procurarem mais fatos sobre o trágico acidente da usina nuclear em 1986.

Tanta aclamação fez com que a produção fosse um verdadeiro sucesso de audiência, inclusive, quebrando um grande recorde que pertencia a Game of Thrones.

A série alcançou um total de 8 milhões de espectadores e chamou atenção por comprovar um interesse diversificado e surpreendente do público geral.

A obra é, em primeiro lugar, surpreendente em todos os aspectos.

O criador da série Chernobyl é Craig Mazin, que começou sua carreira na indústria do entretenimento como executivo de marketing da Walt Disney Pictures, e aos poucos foi se envolvendo com o roteiro e produção dos filmes. Um dos maiores êxitos dele foram as sequências de Se beber não case II e III.

O enredo segue a vida de Valery Legasov, que é interpretado por Jared Harris. Esse químico soviético foi chefe da comissão que investigava esse desastre e foi testemunha dos esforços da URSS para “abafar” as informações sobre o caso.

Mas o que faz de Chernobyl, uma série dramática, de tema forte ser tão atraente para o público geral? Bom, a escolha do tema é um fator óbvio: por que não havia ainda filmes e séries sobre Chernobyl?

imagem de casa em chernobyl
Vitaliy Holovin

A Netflix, aproveitando o embalo, disponibilizou um antigo documentário sobre Chernobyl.

Um fato que conta muito, além do tema, é a extensa pesquisa sobre o acidente real, que se vê em cada um dos capítulos de Chernobyl. Houve ainda uma preocupação com os costumes da época até os mínimos detalhes. Além disso, a representação humana dos russos, sem caricaturas ou sotaques forçados contribui ainda mais. Cada intenção e comportamento dos personagens é compreensível, até mesmo a negação dos que estavam na usina desde o começo.

Apesar de tudo isso, não é apenas a escolha da história, a pesquisa, o elenco e a estética de Chernobyl que explicam seu merecido sucesso. Existe algo fundamental que está na base de sua narrativa, que torna a história não apenas relevante como abrangente: ela é universal.

Ela mostra que as consequências trágicas que ocorreram têm seus motivos na arrogância, mentiras, desinformação e fragilidade humana.

O sucesso da série Chernobyl trouxe já alguns efeitos para a vida real, como o crescente aumento do turismo nas usinas nucleares. Não somente na usina homônima na Ucrânia, como também em áreas da Lituânia, uma outra ex-república soviética, usadas como locação para a produção da HBO.

Um desses lugares é a Usina de Ignalina, desativada há quase uma década, que possui um reator e salas de controle nos moldes do de Chernobyl. Seu núcleo permanece altamente radioativo e fica a sete metros abaixo dos pés dos turistas, protegido por camadas protetoras. Por isso, todo o cuidado é pouco para quem pretende visitar. Todo mundo é verificado por contaminação na saída.

A procura é tanta que não há mais vagas para visitas guiadas até janeiro de 2020. Por isso a fábrica trabalhando para dobrar a capacidade de visitantes para lidar com a demanda.

As excursões também acontecem em Fabijoniskes, um distrito da capital Vilnius, onde foram filmadas cenas da cidade de Pripyat, que abrigava trabalhadores de Chernobyl e depois caíram dentro da zona de exclusão.

Inclusive, influencers do mundo todo estão aderindo ao movimento de tirar fotos nos locais do acidente e fazer “cobertura” do acontecido, o que tem atraído ainda mais pessoas aos locais para diversas expedições fotográficas.

Hoje Chernobyl, embora receba mais de 70 mil visitantes por ano, é uma região que está praticamente livre da presença de humanos. Por conta disso, pesquisadores tem detectado um renascimento da vida selvagem no local.

Imagens de Chernobyl e seus animais
acidcow.com

 

À época do desastre da Usina Nuclear, poucos animais sobreviveram aos altos níveis de radiação. Agora, mais de três décadas depois, diversas espécies voltaram a seu habitat, como ursos marrons, bisontes, lobos, linces, cavalos selvagens e mais de 200 espécies de aves, entre outros animais.

No entanto, embora as populações de diferentes espécies estejam crescendo, os biólogos reconhecem que ainda assim há forte presença de mutações genéticas entre os animais. Tais mutações são até dez vezes mais altas que a média de aves e mamíferos mundial.

 

 

Muitos estudos ainda estão em andamento sobre os efeitos da radiação, e cada vez têm atraído mais os olhares e a curiosidade sobre essa tragédia tão devastadora, e que agora volta com força total após a sua história ter sido eternizada pela série.

Durante os próximos meses, o elpulpo vai te mostrar como alguns fotógrafos vem trabalhando o tema Chernobyl com as suas lentes. Fique ligadx!

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